Angústias de uma mãe recém-nascida

A dor de uma mãe pela vida nova que gerou dói em mim também. Lágrimas escorreram dos olhos dela e foram refletidas nos meus. Senti o gosto salgado na boca ao descer pelo meu rosto. O coração apertou e me vi ali, no lugar dela, com um vazio no peito e com a cabeça cheia.


Senti vontade de voltar no tempo e falar comigo mesma, de me abraçar e dizer que o caminho será longo, mas que vou conseguir. Que vou querer desistir, mas que terá sempre uma luz pra me guiar. Queria me dizer que lá na frente, no meu próprio futuro, está mais confortável, que fiquei mais confiante, empoderada. Que venci meus medos e minhas sombras. Mas não posso voltar no tempo.


Eu estava ali no presente vendo aquela mãe aflita diante de mim. Ela se parecia tanto comigo. Com aquela outra versão minha.


Você não tá fazendo nada de errado. Você é a melhor mãe que seu filho poderia ter. Certamente ele a escolheria no meio de tantas. Só que essas palavras não fazem muito sentido no meio de tantas angústias que uma mãe recém-nascida tem dentro de si.


Estava com o seu filho no colo, com aquele sentimento no peito, com a imagem dela nos meus olhos, por alguns minutos éramos uma coisa só. Ela. Eu hoje. Eu lá atrás. O bebê.


Quem era eu? Quem era ela? Éramos mesmo uma só, um só coração.


Quando eu acolho ela, quando digo palavras para confortar sua alma, quando a abraço, quando a ouço, faço isso por ela, mas faço isso por mim também. É como se eu estivesse me colocando no meu colo e me fazendo carinho, dizendo que tudo isso vai passar. Ah vai sim.


E lá na frente eu, ela, nem sei mais, vamos nos orgulhar de todas as batalhas que vivemos. E todo o esforço, toda a dedicação, todo dia de banho correndo, de unhas por fazer, de coque no cabelo, de pê

los começando a espetar, de barriga pouco cheia com restinhos do almoço dos filhos, e de olheiras que não vão embora nunca, tudo isso, terá valido muito a pena.


Um grande beijo, Camila.

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